Dalsin

Muito se foi

Dalsin
Sei que os ponteiro tá girando, tô vendo os dia passando,
Por causa de pouca coisa meus irmão tá se matando.
Em meio aos corpos ainda tô vivo, tiozão,
Não retrocedo enquanto não cumprir minha missão.

Vim lá do Querosene, onde o barato é treta,
Economia no vermelho e a situação tá preta.
Ainda assim levamo vida, tio, sem fazer careta,
Não tenho como pagar, pendura na caderneta.

Lembro das pixação, dos fundo do busão,
Lembro dos corte de cerol, fazia na mão.
Lembro das correria nos 'polícia e ladrão',
Quanta catraca eu não pulei nos bonde que ia pro Novão ?

Nessa aí fui aprendendo tudo o que não sabia,
Muita coisa não imaginei que um dia viveria.
E num veio, mas os moleque, bagulho, tá correria,
Muita coisa foi se perdendo aí no dia a dia.

Os momento que passa, a gente deixa pra trás,
Se lembra que umas fita não vai voltar nunca mais.
Então eu vou viver, bem vivido, cada segundo,
Nos últimos 15 minutos vai se acabar o mundo.

Vou dormir rezando pro amanhã surgir,
Acordo agradecendo por ainda estar aqui.
É que fazer a diferença, tio, sempre refletir,
Que os momentos bons são únicos, não vão se repetir.

Refrão:
Eu sei que amanhã o dia vai raiar,
Sei que as coisa uma hora tem que melhorar.
Sei que dever pra vida é foda, ela vai cobrar,
E a bola chamada mundo não vai parar de girar.
Como eu sei que amanhã o dia vai raiar,
Sei que as coisa uma hora tem que melhorar.
Sei que dever pra vida é foda, ela vai cobrar,
E a bola chamada mundo não vai parar de girar.

Eu não mosquei naquela ideia que o mundo ia mudar,
Passei a esquecer essas fitas e fui me organizar,
Fiquei observando o povo se estagnar,
O corpo só se movimenta quando a cabeça pensar.

Vim pra vencer em cada estrofe que é finalizada,
Em cada linha do caderno que a caneta é deslizada.
A caminhada é dura, vai além de estar aqui,
Ter a ombridade de chorar pra ver os meus irmão sorrir.

Já que é pra fazer virar, demorô, tamo aí !
Não deito o corpo no colchão enquanto a letra não sair.
Vi vários se perder, vi muito acontecer,
Recebo hoje porque ontem eu me esfolei pra merecer.

Eu vi os 'homi' invadir, eu vi bandido vazar,
Eu vi um berro na cara, torci pra não disparar.
Eu vi o golpe na pistola, multidão evacuar,
Vários ser pisoteado, nem gosto de lembrar.

Os flash de memória que vêm e vai me mostrando,
Que não posso ta moscando, que a vida ta passando.
Ao meu redor vários lutando, aí se levantando,
O Vale é 'zica memo', aqui ninguém ta panguando.

Sei que dá pra melhorar em meio a tanta cena triste,
Eu sei que vou chorar, tio, a cada riso do Caique.
Só basta evoluir, mudar o rumo da história,
Pode crer, tudo o que vi tá guardado na memória.

(Refrão)

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