Prodigio

Medo

Prodigio
Hey!

Tu acordas cedo e pões a tua farda
Comes qualquer coisa e pões-te na estrada
E enches os relatórios
Não se passa nada
Não vês hora de espancar alguns pretos na esquadra

Antes que essa hora chegue
Brada, escuta
Antes de espancares os putos
Ouve essas perguntas

Tu conheces esses putos de algum lado?
Será que não carregas traumas do passado?
Tu és a favor ou contra a violência?
Tem a ver com couro, é muita coincidência
Tens que ser honesto comigo e contigo
Porque é que quando os putos são pretos és agressivo?

Não somos todos espertalhões nem todos otários
Gostaria de te lembrar que eu pago o teu salário
Os teus colegas não todos como tu eu sei que não
Mas nós também não somos todos marginais, eis a questão

Se dependesse de ti
Ainda me escravizavas
Se dependesse de ti
Ainda me acorrentavas
Escotiavas
Leioloavas
Eu sei que o teu silêncio significa falta de palavras
Concordas comigo né?

Não tenhas medo
Por favor não tenhas medo de amar
Não
Não tenhas medo
Por favor não tenhas medo de amar
Não

Brada eu entendo que o teu trabalho seja duro
Mano eu percebo
É perigoso mano, eu juro
Mas tu escolheste a profissão
Não sejas imaturo
Tu és a nossa segurança
Não sejas inseguro

Tu revistaste a minha irmã
E sabias que não devias
Meteste a mão na vagina
Ela chorava e tu sorrias

Eu não quero saber das leis
Se podes ou não
Imagina a tua mulher a sentir a minha mão
Imagina o teu filho a sentir o meu bastão
Imagina a minha mão na cara do teu irmão

Tu vinhas trazer segurança
Mas eu não te confio
O problema é que julgas pela cor
Mano isso é doentio

Eu próprio já fui espancado
Algemado
Humilhado no passado
Sem razão
Minha opinião
Eu não guardo segredo
Teu mambo não é coragem
Mano, tens medo

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