Os baratas tontas

Borzeguins ao leito

Os baratas tontas
Na boca da avenida, bem no centro da cidade
Lá vem ela com pinta de estudante calourinha
Não sei de que colégio, que cursinho ou faculdade
Só sei que eu queria que ela fosse aluna minha
O cabelinho dela e uma tentação pro trote
Levinho, liso e louro escorrendo no decote
Mas o que me põe mais bobo, mais tonto,
mais doido nela
É aquele tênis preto amarrado na canela


Franjinha sobre os óculos, boquinha de chiclete
Nariz arrebitado, saia acima do joelho
Deve ter mais de vinte e aparenta dezessete
Se ela e coelhinha, eu queria ser coelho
A cinturinha dela parece de tanajura
De olhar já dá formigamento na musculatura
Mas o que deixa ourissadíssimo este magricela
É aquele tênis preto amarrado na canela

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