Paulo andré barata

Juruti-pepena

Paulo andré barata
Urutau piou no toco
Nhambu lá no ticuma
Tincoã no pé de coco
Caboré na samaúma

Tanto foi pio de agouro
Que atraiu o camiranga
Deve ser pra mãe-do-ouro
Cambirera ou curacanga

Pio breve, pio grave
Sairá de que garganta?
Ninguém vê corpo de ave
Só se vê folha de planta

Canta perto e não se sente
Canta junto e não se vê
Não é boto, nem serpente
Nem mati, nem cererê

Se piar não passa vento
Se cantar não corre brisa
Esse som de encantamento
Diz pajé que paralisa

Pára a perna, estanca o braço
Trava a mão, prende o joelho
Sua voz vem do regaço
Do tajá branco e vermelho

Me proteja a mãe-do-rio
De escutar tal cantilena
Voz sem corpo, ave só-pio
Xô! Que é juruti-pepena

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